Desde a sua fundação, o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) desenvolve diversas iniciativas visando melhorar a qualidade e a produtividade nas organizações. Tendo como forte referência o modelo de produtividade do Japão, estas iniciativas estão baseadas nos princípios de aumento da produtividade e de empregos no longo prazo, aumento da produtividade resultante da cooperação entre gestão e trabalho e distribuição justa de ganhos decorrentes do aumento da produtividade entre o trabalho, a gestão, o governo e a sociedade.
A fim de desenvolver uma metodologia adequada à cultura brasileira, o IBQP estabeleceu um quarto princípio: “A Produtividade em Ambientes Sustentáveis – todos os esforços para melhoria da produtividade deverão considerar, além do ambiente produtivo, o ambiente social e o natural com a mesma importância”. Nesse sentido, o Instituto vem desenvolvendo e aplicando, há mais de cinco anos, uma metodologia para aumentar a produtividade, denominada “Modelo da Produtividade Sistêmica”.
Esse Modelo tem sido disseminado pela instituição através da Assistência Técnica e de Programas de Capacitação para organizações brasileiras, latino-americanas e africanas de língua portuguesa. Ele preconiza a sinergia entre as principais medidas de eficiência em um processo produtivo. Isso se dá por meio de fatores da produção (recursos humanos, recursos naturais, gestão, recursos físicos e tecnologia) e de dois referenciais: comparação ou benchmarking e a distribuição do valor gerado com o aumento da produtividade.Ou seja, a produtividade sistêmica considera, além do desempenho econômico, os aspectos sociais e ambientais como imprescindíveis para a qualidade de vida e de trabalho de todos os cidadãos.
Mas o processo produtivo não se restringe à produção, ele abrange mais duas etapas: a compra de bens e serviços intermediários e a sua venda. Assim, o conceito de produtividade sistêmica vai além dos aspectos relativos ao processo de produção. A eficiência na produção é necessária, mas não suficiente. Nessa perspectiva, a questão de produtividade passa a ter por base o conceito de valor adicionado pelo processo produtivo.
O valor adicionado é a riqueza gerada dentro da organização – calculada pela diferença entre o valor das vendas e o valor da compra de bens e serviços intermediários. Esse valor é um conceito sistêmico, pois depende de múltiplos fatores que definem e estruturam o processo produtivo. Quando o conceito de produtividade tem por base esse valor, afirma-se a natureza sistêmica da produtividade.
Esse conceito realça a importância para o processo produtivo, não só dos recursos tangíveis (máquinas, instalações, quantidade de matéria-prima, de trabalho e etc.) como também dos intangíveis (gestão, cultura organizacional, conhecimento e etc.). Além disso, permite que economias externas; eficiência coletiva; socialização de custos, como danos ao meio ambiente, sejam contabilizadas na eficiência do processo produtivo da empresa.
Considerando que a produtividade é uma das principais formas de medir a geração de riquezas em uma sociedade, aumentos de produtividade significam, não só a ampliação do valor adicionado, mas também a expansão e diversificação dos mercados.
É importante destacar que os aumentos da produtividade do trabalho dependem cada vez mais de estratégias que envolvem a permanente qualificação dos trabalhadores, a incorporação contínua de progresso técnico e o aumento da capacidade inovativa das empresas. Dessa forma é possível a mudança para um ambiente social e econômico mais equilibrado e mais propício ao desenvolvimento do País.
Partindo desse princípio, o IBQP criou a “Escola Brasileira da Produtividade Sistêmica”, em conjunto com a Agência Internacional de Cooperação Japonesa (JICA) e o Centro de Produtividade Japonês para o Desenvolvimento Sócio Econômico (JPC-SED). A iniciativa tem por objetivo disseminar o conhecimento da Produtividade Sistêmica no Brasil, e futuramente para os países membros da Rede Latino Americana da Produtividade (Lapnet), e países africanos de língua portuguesa Para tanto, serão desenvolvidos produtos e serviços na área de educação, pesquisa e extensão utilizando-se de ferramentas e tecnologias de educação à distância.
A Escola Brasileira da Produtividade Sistêmica está sendo constituída para criar condições aos países interessados em melhorar a sua competitividade e desenvolver, por meio do acesso à educação, o aumento da produtividade de forma sistêmica.
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